Estratégias para o Sisu: o que fazer, o que evitar, quando esperar e alternativas

Com 274,8 mil vagas, o Sisu 2026 acontece de 19 a 23 de janeiro. Estudantes podem ingressar utilizar com notas das últimas três edições do Enem

Paloma Xavier | UOL*

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é, atualmente, a principal forma de ingresso em instituições públicas de Ensino Superior no Brasil. Em 2026, serão ofertadas 274,8 mil vagas válidas para o primeiro ou para o segundo semestre de 2026 – sendo 15,9 mil delas para Pernambuco.

Contudo, para muitos estudantes, o momento decisivo é de tensão, afinal, uma parte importante das suas vidas está dependendo do desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e da estratégia utilizada no Sisu.

Para o Supervisor de Resultado do GGE, Ricardo Jorge, o principal desafio emocional e psicológico nesse momento é a redução da identidade e do valor pessoal do estudante a um único número. “Quando a nota do Enem passa a ser vista como a principal ou única chave para a escolha do curso superior, ela deixa de ser apenas um instrumento de acesso e se transforma em um termômetro de autoestima, capacidade e futuro”, destaca.

Escolha de curso

O especialista ressalta que esse tipo de comportamento pode estar associado à pressão familiar e social, que também pode conflitar com os reais interesses dos estudantes. “Essa pressão pode influenciar profundamente a escolha do curso superior ao impor expectativas externas que nem sempre dialogam com os interesses, habilidades e desejos reais do estudante. Esse conflito costuma acontecer de forma sutil, mas contínua, e gera impactos preocupantes, como o silenciamento da autonomia e escolhas desalinhadas”, explica.

O supervisor destaca o papel da orientação vocacional no processo de reconexão do estudante consigo mesmo. “Ajuda a transformar a nota do Enem de um fator limitador em um instrumento estratégico, alinhado aos seus talentos, valores e projeto de vida. Ela contribui de várias formas, desde o autoconhecimento à desconstrução do prestígio social”, detalha.

“Em síntese, a orientação vocacional ajuda o aluno a sair do ‘estou perdido’ para o ‘sei quem sou e o que posso construir com o que tenho hoje’, integrando a nota do Enem a um projeto de vida coerente, possível e significativo”, resume.

Preparação para o Sisu

Após a divulgação da nota do Enem, a etapa a ser seguida pelos estudantes é a utilização desses números no Sisu. O sistema tem inscrições online e gratuitas e exige que o participante não tenha zerado a redação, nem seja “treineiro”, permitindo escolher até duas opções de curso e concorrer por vagas (ampla concorrência ou cotas). A partir de 2026, poderão ser utilizadas as notas das últimas três edições do Enem.

Antes da abertura do Sisu, Ricardo orienta que o estudante se prepare não apenas tecnicamente, mas também emocionalmente e estrategicamente para que a escolha seja consciente e segura. Para isso, ele recomenda que os alunos sigam os seguintes passos:

  • Ter autoconhecimento e clareza de objetivos;
  • Analisar realisticamente a nota do Enem;
  • Pesquisar profundamente os cursos e instituições que despertam interesse;
  • Analisar as notas de corte dos anos anteriores;
  • Planejar estrategicamente pelo menos duas opções de curso bem pensadas;
  • Conhecer as regras do Sisu.

Fatores considerados ao escolher cursos e instituições

Ricardo destaca que a escolha de um curso e de uma instituição precisa considerar um conjunto de fatores acadêmicos, pessoais, sociais e práticos, que impactam diretamente a permanência, o desempenho e a satisfação do estudante. Entre os principais, estão:

  • Analisar o currículo e proposta pedagógica;
  • Avaliar a instituição e qualidade acadêmica;
  • Considerar a localização e seu contexto de vida (como morar perto);
  • Pesquisar sobre auxílio estudantil e condições de permanência;
  • Avaliar turno de estudo e funcionamento da rotina;
  • Analisar o mercado de trabalho e possibilidades futuras;
  • Avaliar opções alinhadas com valores pessoais e afinidades.

“Em síntese, escolher um curso e uma instituição é equilibrar possibilidade de acesso, condições de permanência e realização pessoal. Quando o estudante olha além da nota, ele aumenta significativamente as chances de construir uma trajetória acadêmica mais saudável, consistente e significativa”, resume.

Pesos do Sisu

Um dos detalhes mais importantes do sistema é a análise dos pesos das áreas do conhecimento. Segundo o especialista, eles podem alterar significativamente a nota final e as chances de aprovação. Confira o passo a passo:

  1. Entender os pesos: Cada universidade pode atribuir valores diferentes às áreas do Enem, indicando quais são mais relevantes para cada curso;
  2. Consultar o Termo de Adesão: Antes da abertura do sistema, o estudante deve acessar este documento no site da instituição para verificar pesos, notas mínimas e modalidades de concorrência;
  3. Calcular a nota ponderada: O aluno deve multiplicar a nota de cada área pelo peso correspondente, somar os resultados e dividir pela soma total dos pesos. Isso revela a nota real usada pelo curso;
  4. Comparar cenários: Essa comparação ajuda a identificar onde a nota “rende mais” e permite definir estratégias mais realistas;
  5. Observar notas mínimas: Mesmo com média alta, o candidato pode ser eliminado se não atingir a pontuação mínima exigida em uma área específica.

Como usar as duas opções de curso

Para Ricardo, a estratégia ideal para usar as duas opções do Sisu deve considerar o realismo, desejo e coerência, e não apenas a urgência de “passar”. “Usar a segunda opção apenas como garantia de aprovação, em um curso que o aluno não quer de verdade, raramente é a melhor escolha”, afirma.

O supervisor destaca que a função das duas opções é ampliar as possibilidades de acesso sem abrir mão do projeto de vida do candidato. “Optar por um curso ‘qualquer’ apenas para garantir vaga pode gerar desmotivação, baixo rendimento acadêmico e ampliar as chances de evasão ou troca de curso”, acrescenta.

Ele orienta que a primeira opção de curso seja a de maior interesse real e que o aluno se veja cursando e concluindo. “Onde a nota seja desafiadora, mas possível, considerando pesos e histórico de corte”, complementa.

Já a segunda opção ideal seria um curso que o aluno gostaria de fazer, mesmo que não seja o dos seus sonhos. “Uma alternativa próxima em área, afinidade ou projeto profissional ou um curso em que a nota ofereça maior segurança de aprovação”, destaca.

O especialista também enfatiza que não vale “passar por passar” se o estudante não se identifica minimamente com o curso, está escolhendo apenas por pressão familiar, medo ou quando sua única justificativa é “não ficar parado”.

Oscilação das notas

Outro ponto levantado por Ricardo é a oscilação das notas durante o período de inscrições do Sisu. “As notas mudam porque os candidatos alteram suas opções constantemente, e muitos usam o Sisu apenas para ‘testar cenários’. Vale lembrar que a nota exibida é apenas um recorte provisório, não o resultado final. Ou seja, o sobe e desce é normal”, pontua.

O supervisor afirma que o estudante que definiu um planejamento antes de acompanhar as notas deve ser menos impactado. “Além disso, é importante saber até que ponto está disposto a manter ou trocar cada escolha e evitar o monitoramento compulsivo. Também recomendo comparar com a tendência de crescimento das notas, e não com o valor do dia e cuidar do emocional durante o processo.”

Ricardo destaca que o último dia é o mais estratégico, pois é quando as notas tendem a estabilizar e os estudantes devem evitar mudanças impulsivas baseadas na ansiedade. “A melhor forma de atravessar o sobe e desce do Sisu é trocar o modo pânico pelo modo estratégia. Quando o aluno entende o sistema, confia no planejamento e cuida do emocional, ele toma decisões mais seguras e sofre muito menos no processo”, resume.

O que fazer quando o Sisu “fecha”

Ao fim do prazo do Sisu, o sistema seleciona os primeiros colocados para preencher as vagas – as matrículas devem ser feitas nas instituições. Estudantes que não foram selecionados nesta chamada podem se inscrever na lista de espera.

Ricardo afirma que o aluno deve apostar na lista de espera quando a diferença entre a sua nota e a nota de corte final foi pequena; quando o curso tem alta taxa de desistência; e quando o estudante está disposto a aguardar as chamadas e acompanhar os editais.

“Quando a nota não é suficiente para o curso dos sonhos, o mais importante é não transformar essa situação em uma derrota pessoal. O primeiro passo é acolher a frustração sem paralisar e analisar suas opções”, destaca o especialista.

Entre as alternativas para quem não foi selecionado na chamada regular, estão:

  • Se inscrever e aguardar a lista de espera;
  • Analisar cursos da mesma área ou com base comum;
  • Avaliar instituições diferentes, que tenham pesos e notas de corte mais compatíveis;
  • Avaliar processos seletivos próprios de universidades;
  • Buscar instituições privadas ou que oferecem bolsas pelo ProUni (Programa Universidade para Todos) ou FIES (financiamento estudantil);
  • Prestar vestibular novamente.

Quando a nota não alcança o curso dos sonhos, o estudante não perdeu o sonho, apenas precisa redesenhar o caminho. Com apoio, informação e estratégia, é possível transformar a frustração em maturidade e construir uma trajetória tão significativa quanto a imaginada inicialmente“, finaliza o supervisor.

*Portal UOL, https://ne10.uol.com.br/enem/2026/01/14/estrategias-para-o-sisu-o-que-fazer-o-que-evitar-quando-esperar-e-alternativas.html, 14/01/2026

Categorias: ENEM / SISU

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