O Estado de São Paulo – 15/10/2012 – São Paulo, SP
Pós-graduação em Física no País tem nível de excelência
DAVI LIRA –
Dos 53 programas de
pós-graduação em Física reconhecidos no País, 26% têm nível de excelência
internacional. Com conceitos máximos pontuados pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação
(MEC), não há nenhuma outra área de conhecimento com porcentual e abrangência
geográfica tão amplos.
Os 14 programas com prestígio
mundial na área se desmembram em cursos de mestrado e doutorado, espalhados pelo
Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil.
Na comparação com outras
áreas, os programas de Ciências Biológicas são os que mais se aproximam da
Física – 24% deles são considerados de excelência. Em Medicina, o índice alcança
16%. Os dados são da Capes e foram atualizados em setembro.
De todos esses programas de
Física com avaliação máxima, grande parte se concentra em São Paulo: na USP,
Unicamp, USP São Carlos e no Instituto de Física Teórica da Unesp. A
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)e as federais do Ceará, Paraíba
e Pernambuco são outras instituições que foram conceituadas com os níveis
máximos de avaliação.
Segundo Celso Pinto de Melo,
presidente da Sociedade Brasileira de Física, o atual panorama é consequência do
processo de internacionalização na área, iniciado a partir da década de 60. Em
entrevista ao Estado na sexta-feira, o francês Serge Haroche, vencedor do Nobel
de Física deste ano, elogiou a produção brasileira na área, afirmando que o País
`está num bom caminho`.
Além disso, outros fatores
justificam esse nível de qualidade, afirma Anderson Gomes, coordenador da última
avaliação em Física da Capes.
`Praticamente todos os
docentes trabalham em regime de dedicação exclusiva. O intercâmbio de
professores e a pesquisa de ponta realizada com instituições estrangeiras seriam
outros diferenciais que tornam nossos cursos comparáveis aos de Harvard, por
exemplo`, diz Gomes.
Segundo o relatório de
avaliação da Capes, a Física ocupa, no Brasil, o segundo lugar no ranking de
diversas áreas de conhecimento no quesito produção científica. O número de
artigos, em torno de 20 mil, perde apenas para a área de Clínica Médica.
Comparado a outros 30 países, o Brasil ocuparia a posição de 16.º nesse item.
E o nível de qualidade da
Física no Brasil acaba atraindo pesquisadores de outros países, afirma Sergio
Ribeiro Teixeira. `Temos mais de cem alunos, incluindo discentes do Peru,
Bolívia, Colômbia e até do Paquistão.`
No caso da UFRGS, a energia
renovável e a astronomia são destaques. `Com estudos nessas áreas é possível,
por exemplo, melhorar a resolução de imagens de mamografias, e até desenvolver
um sistema mais eficiente de detecção de toxinas nos alimentos`, afirma
Teixeira.
Porém, o progresso da área
dentro do ambiente acadêmico não é acompanhado pela presença dos pesquisadores
nas indústrias, alerta Pinto de Melo. `Essa seria a principal deficiência: falta
inserir o pesquisador na indústria, que pode ser tanto a eletrônica quanto a de
cervejas.`
A necessidade de investimento
em mais centros de pesquisa é outro ponto levantado pelo pesquisador Ernesto
Mané, de 28 anos. Após retornar de um doutorado em Física Nuclear na Inglaterra,
ele acredita que o Brasil deveria investir mais em projetos nessa área.
`Principalmente na medicina nuclear e na produção de radiofármacos`, diz.
Bolsas. Com o nível de
qualificação internacional, quase todos os programas de pós-graduação em Física
no País aumentaram as verbas destinadas à pesquisa, aponta relatório do MEC.
Apenas nos últimos cinco
anos, o volume de recursos para apoio a projetos de Física desembolsados pela
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) aumentou mais de
45%. Dos R$ 938 milhões liberados em 2011, Física garantiu 5%. A área médica
recebeu 10%.
Mas, no número de
pesquisadores na categoria mais prestigiosa do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a área desbanca Medicina. Em
Física, 77 dos bolsistas são `1A`, classificação que atesta a qualidade da
produção científica do pesquisador e confirma sua inserção nacional e
internacional. Medicina acumulava 59 bolsistas 1A, segundo posição do ano
passado.
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