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O GLOBO – 26/11/2017 – RIO DE JANEIRO, RJ

Profissões e competências do mercado de trabalho do futuro

POR UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA

A imagem clássica de Charles Chaplin como o operário no filme “Tempos Modernos” (1936) fica cada vez mais distante do mercado de trabalho atual, e também do que vem se desenhando para o futuro. O ideal que o longa-metragem representava – com cada trabalhador tendo um papel específico numa grande engrenagem - perde espaço para um mundo no qual os profissionais multidisciplinares são fundamentais.

Obviamente, que uma formação sólida e o domínio de ferramentas e idiomas vão continuar chamando atenção num currículo. No entanto, de acordo com os especialistas, essas características não serão o foco principal das empresas e recrutadores. Eles não vão buscar o domínio de áreas de conhecimento específicas, mas profissionais que tenham competências como inteligência emocional, flexibilidade, raciocínio rápido e perfil analítico e colaborativo.

Autora do livro `Tô Perdido - Mudança e Gestão da Carreira` (Qualitymark Editora), a psicóloga Adriana Gomes diz que projetar as profissões do futuro é um exercício difícil, sujeito ao erro, especialmente em uma sociedade que muda rapidamente impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico.

— As áreas que vão sobreviver são aquelas que exigem competências humanas, ou seja, tudo que não pode ser substituído por máquinas. No meu livro, tento pensar em ocupações como curador digital, especialista em desintoxicação digital, consultor de privacidade, condutor de drones, curador de conteúdo e outras profissões ligadas à tecnologia — aponta a psicóloga, que é criadora do Vida e Carreira, portal de aconselhamento profissional.

Cassio, prestar atenção nas tendências econômicas e do mercado de trabalho é uma forma relativamente eficaz de prever as carreiras do futuro. Vitor dá o exemplo do crescimento do agronegócio no país como um setor que ainda deve render muitas oportunidades de emprego.

— Cerca de 25% do PIB brasileiro vem da área agrícola. Ao contrário do passado de êxodo rural, é esperado que esse mercado só cresça, assim como petróleo e minérios ainda têm futuro. Além disso, o e-commerce promete ganhar ainda mais força. Mais importante ainda vão ser as aptidões dos funcionários. A inteligência emocional vai ser uma dessas competências essenciais. Em meio a tanto estresse e tecnologia, ter controle das emoções e saber como lidar com elas vai demonstrar essa capacidade — pondera Vitor.

Para o gerente de conteúdo da TV Escola, Walmir Thomazi Cardoso, outra expectativa é de que as funções fiquem cada vez mais interligadas com as demandas dos clientes:

—Existe um enorme espectro de variações entre o antigo e o novo, sem rupturas completas. As novas exigências fazem parte da transição e da adaptação do ser humano no processo histórico social do trabalho. O perfil do profissional não é mais só definido pelo mercado, mas pela relação dele com os consumidores. Indivíduos, hoje, mais barulhentos, detentores e sabedores de seus direitos e com um grande megafone nas mãos: as redes sociais.

Biblioteconomia 2.0

Alterações tecnológicas e de modos de trabalho, obviamente, dão espaço para novas carreiras ou transformações de antigas. Além de apresentar qualidades diferentes, o profissional do futuro vai frequentemente trabalhar em cargos ainda não tão relevantes no presente. É nisso que acredita Marcus Tavares, gerente de formação da TV Escola. Para o executivo, as funções que envolvem gestão de dados devem despontar como áreas de sucesso nos próximos anos.

— As profissões vão aproveitar as tecnologias e plataformas de gestão. Fala-se muito de big data, sistemas que articulam informações. Isso vai incluir os bancos de dados e a internet das coisas (IoT, em inglês). A informação se torna, assim, um bem valioso. Bibliotecas de dados vão exigir uma nova biblioteconomia com pessoas dedicadas a isso. Engenharias ligadas à IoT vão ter lugar reservado no futuro, assim como desenvolvedores de apps e de realidade aumentada. Como tema na agenda mundial, a gestão de recursos naturais e socioambientaistambém vai crescer bastante. Além das áreas relacionadas à climatologia — prevê Marcus.

Nem as universidades devem ficar de fora das mudanças previstas para o mercado de trabalho. Segundo Adriana Gomes, muitos cursos de ensino superior vão surgir, enquanto outros se renovarão:

— Faculdades mais articuladas e com mais vivência profissional vão ter destaque no futuro. A educação vai precisar ter um olhar especial para os negócios. Algumas pesquisas informam que cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com seus trabalhos. Isso tem a ver diretamente com a incoerência entre o que é absorvido na escola e o que é cobrado pelas empresas — avalia Adriana.

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