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UOL EDUCAÇÃO – 27/07/2017 – SÃO PAULO, SP

Taxa de evasão em cursos on-line chega a 50% e desafia instituições

DENILSON OLIVEIRA

Em 2015, a analista de comunicação Patrícia Golini, 30, matriculou-se num curso on-line de gestão de comunicação e marketing na USP. Sua experiência com educação a distância já somava duas tentativas frustradas.

`Tinha começado curso de inglês e de especialização, mas não levei adiante`, diz.

Depois de três meses, ela deixou de acompanhar as aulas pelo computador e no fim do primeiro semestre tinha acumulado matérias.

`A solução foi trancar a matrícula, guardar dinheiro e fazer uma pós-graduação presencial.` Hoje, ela está a poucos meses de concluir sua especialização.

A experiência de Golini ilustra um dos grandes desafios da educação virtual. Segundo o último censo realizado pela Associação Brasileira de Ensino a Distância, em 2015, a maior fatia das instituições que oferecem cursos regulamentados totalmente on-line apresentam taxas de evasão de até 50%. Nos cursos semipresenciais e presenciais, esse número é de 25%.

Os principais motivos para a desistência dos alunos são falta de tempo, questões financeiras e dificuldade de adaptação à modalidade.

`O Brasil tem problemas de evasão em todos os níveis de ensino e ainda engatinha quando o assunto é EaD`, diz Renato Bulcão, conselheiro da Abed e professor da Unip (Universidade Paulista). Segundo ele, países como Canadá e Austrália, referências no assunto, utilizam essa metodologia há mais de 50 anos.

No Brasil, a EaD foi regulamentada pelo Ministério da Educação no fim de 2005.

Carlos Bernardo, professor do curso de Turismo e Hotelaria das faculdades Anhembi Morumbi e Senac, diz acreditar que o estudante brasileiro está se adaptando ao sistema. `Sinto que o interesse de boa parte dos alunos em sala de aula é maior do que o daquele que está atrás do computador. On-line, a adesão a atividades extracurriculares também é menor.`

SUPORTE

Para Pedro Regazzo, diretor de EaD do Ibmec, a diferença no perfil do aluno de graduação e de pós-graduação influencia nos índices de evasão. `O jovem que entra na faculdade acabou de sair do ensino médio, está mais acostumado à sala de aula e precisa de mais suporte.`

Nas especializações e MBAs, o aluno tem mais facilidade de levar o curso até o fim. `Ele já está no mercado e precisa dessa formação para alavancar a carreira.`

No Hospital Israelita Albert Einstein, que oferece cursos de especialização para médicos, enfermeiros e técnicos, a evasão gira em torno de 13%.

`Nossa principal estratégia para diminuir o afastamento do aluno está na metodologia, que tem conteúdo interativo e depende de uma integração entre estudantes e professores`, afirma Sandra Oyafuso Kina, gerente de ensino a distância e tecnologia educacional da instituição.

A dificuldade de atrair o estudante para as atividades virtuais não existe apenas em cursos de graduação ou pós. A rede de ensino de inglês Cultura Inglesa utiliza o ambiente virtual como complemento das aulas. A ferramenta só passou a ter uma adesão maior quando começou a ser oferecida em tablets e smartphones.

`Após essa migração, 70% dos alunos começaram a acessar o conteúdo de forma online`, diz o gerente acadêmico Vinícius Nobre.